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nossas experiências é sempre uma ótima oportunidade de vivenciar situações em
que nos percebemos parte de um todo, por meio da singularidade com que as
coisas acontecem.
Ao
relembrar os processos da escrita em minha formação, tentei buscar a fase em
que estava no “primário”, das construções solicitadas por minhas professoras,
cartinhas para os familiares enfim. Mas o que ficou mais forte na memória são,
sem dúvida, as cartas que escrevi durante as temporadas que fiquei distante da
minha família, já nos anos finais do Ensino Fundamental. Eram tantas
correspondências que quase diariamente eu respondia uma delas. Por algum tempo
cheguei a escrever duas vezes por semana para uma de minhas irmãs - com quem
mais me comunicava. Eram assuntos dos mais variados possíveis. Desde os
acontecimentos familiares até os projetos para o futuro. Confidências. A
maneira como escrevíamos era tão intimista, sincera e informal que não havia
dificuldades em expressar nossos sentimentos e opiniões. Sempre recebia elogios
pela maneira como escrevia, e entre uma carta e outra havia um comentário ou
pedido de desculpas pelos erros de português, o que me fazia pensar se estava
sendo muito formal ou utilizando termos rebuscados demais.
Atribuo isso pelo fato de estar sempre com um texto nas mãos, fossem de livros, jornais ou
revistas que realmente diferenciavam meu vocabulário. Mas não faziam de mim um
escriba sem noção.
A
contribuição que as professoras deram foram muito importantes para que eu
viesse a compreender que escrever é muito mais do que agrupar símbolos, mas uma
oportunidade de expressão. E a leitura nos leva a tomar conhecimento de como
podemos fazê-lo.
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