Muitas lembranças me remetem aos processos de leitura e escrita, das
primeiras letras e da professora Dona Elza, que com carinho pegava em
nossas mãos para os primeiros traçados , dos livros comprados na porta
de casa, selecionados por meu pai que só tinha o primário, das noites de
brincadeiras de pergunta e resposta sobre conhecimentos de todas as
disciplinas na cozinha de casa com meu pai puxando as falas, enquanto
estudava por correspondência , da participação na Maratona Intelectual
Infantil, na terceira série com direito à final realizada na rádio da
cidade, o empréstimo de livros da Biblioteca Municipal e outras tantas,
como essa:
Eu acompanhava minha avó materna nas rezas, tinha uns
seis ou sete anos e uma das residências em que sempre íamos, a da Dona
Olímpia, tinha um diferencial: um piano e uma estante de livros,
fechada de vidro que deixava à mostra toda uma viagem de cores, formas,
luzes... Eu chegava a escutar o som do piano e o movimento dos livros
que precisavam sair dali para conquistar outros leitores.
Foram
muitas rezas e muitos sonhos, os meus olhos brilhavam quando conseguia
ler um título, uma imagem por trás das prateleiras e imaginava, o que
estaria escrito em cada um deles. Meu sonho foi em parte realizado, no
final do ano ganhei um livro daquela estante que me abriu portas para
outras leituras, infindáveis... Não sei dizer se foi esse começo, o
“start”, mas posso dizer que fez toda a diferença.
Muito bem, Nídia. bonito depoimento.
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